Dia semanal do provérbio
De livro fechado, não sai letrado.
domingo, dezembro 31, 2006
sábado, dezembro 30, 2006
Conversas entre mãe e filha
- Quero levar esta blusa!
- Não levas porque está suja.
Achei este diálogo curioso. Imaginei uma criança a dizer à mãe: "Ò mãe... quero levar esta blusa!!!!!!!" E a mãe a responder: "Não levas porque está suja.". Grande confusão, entretanto, com uma birra da criança pelo meio.
A verdade está longe, todavia. Presenciei esta cena hoje de manhã, entre a minha mãe e a minha avó de 87 anos. É a filha, a minha mãe, que decide o que a mãe vestirá. Se se tivesse passado à 50 anos atrás, teria sido o contrário e a mãe, a minha avó, teria decidido o que a filha vestiria. Será que de hoje a 30 anos, acontecerá o mesmo? Eu, a filha, a decidir o que a mãe vestirá?
- Quero levar esta blusa!
- Não levas porque está suja.
Achei este diálogo curioso. Imaginei uma criança a dizer à mãe: "Ò mãe... quero levar esta blusa!!!!!!!" E a mãe a responder: "Não levas porque está suja.". Grande confusão, entretanto, com uma birra da criança pelo meio.
A verdade está longe, todavia. Presenciei esta cena hoje de manhã, entre a minha mãe e a minha avó de 87 anos. É a filha, a minha mãe, que decide o que a mãe vestirá. Se se tivesse passado à 50 anos atrás, teria sido o contrário e a mãe, a minha avó, teria decidido o que a filha vestiria. Será que de hoje a 30 anos, acontecerá o mesmo? Eu, a filha, a decidir o que a mãe vestirá?
A morte
Posso dizer que vi o que a morte faz. Posso dizer que a vi várias vezes e nas piores formas. Não vou discutir os pormenores ou a razão. Apenas digo que vi.
"--Detem-te! O que ias fazer?
--Tocar n'esta caveira--respondeu o mancebo com voz tranquilla.
--Com que fim?
--Com o fim de provar que a ideia da morte me não apavora.
--Que pensamento te suggere a vista d'esse triste despojo humano?
--Primeiramente, a ideia de que todos caminhamos para a mesma miseria...
--E depois?
--Depois, que a Morte é a niveladora implacavel do genero humano.
--Assim, crês que na Morte se confundem bons e maus, virtuosos e impuros?
--Creio que, materialmente, tudo se confunde na mesma podridão.
--Materialmente, disseste?
--Disse.
--Crês então que vicio e virtude são coisas indifferentes,visto que tudo se apaga ao mesmo gelido sopro e tudo resvala com o homem ao abysmo do Nada?
--Não.
--Explica-te.
--Do homem subsistem as ideias, os pensamentos, os actos bons ou maus de toda a sua vida. Esses não tem a Morte o poder de os anniquillar.
--Pois bem; visto que assim é, dize-me: De quem é esse craneo?
--De um meu irmão.
--É vaga a resposta. Dize-me: Será d'um sabio? Será de um ignorante? Será de um homem honesto? Será d'um criminoso? Será d'um nobre? Será d'um plebeu?
--Ignoro.
--Confessas, pois, que na Morte tudo se confunde?
--Não! Confesso apenas que na Morte todos teem egual direito ao respeito dos vivos."
Os Filhos do Padre Anselmo, Sá d'Albergaria
Posso dizer que vi o que a morte faz. Posso dizer que a vi várias vezes e nas piores formas. Não vou discutir os pormenores ou a razão. Apenas digo que vi.
"--Detem-te! O que ias fazer?
--Tocar n'esta caveira--respondeu o mancebo com voz tranquilla.
--Com que fim?
--Com o fim de provar que a ideia da morte me não apavora.
--Que pensamento te suggere a vista d'esse triste despojo humano?
--Primeiramente, a ideia de que todos caminhamos para a mesma miseria...
--E depois?
--Depois, que a Morte é a niveladora implacavel do genero humano.
--Assim, crês que na Morte se confundem bons e maus, virtuosos e impuros?
--Creio que, materialmente, tudo se confunde na mesma podridão.
--Materialmente, disseste?
--Disse.
--Crês então que vicio e virtude são coisas indifferentes,visto que tudo se apaga ao mesmo gelido sopro e tudo resvala com o homem ao abysmo do Nada?
--Não.
--Explica-te.
--Do homem subsistem as ideias, os pensamentos, os actos bons ou maus de toda a sua vida. Esses não tem a Morte o poder de os anniquillar.
--Pois bem; visto que assim é, dize-me: De quem é esse craneo?
--De um meu irmão.
--É vaga a resposta. Dize-me: Será d'um sabio? Será de um ignorante? Será de um homem honesto? Será d'um criminoso? Será d'um nobre? Será d'um plebeu?
--Ignoro.
--Confessas, pois, que na Morte tudo se confunde?
--Não! Confesso apenas que na Morte todos teem egual direito ao respeito dos vivos."
Os Filhos do Padre Anselmo, Sá d'Albergaria
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Na corda bamba
A minha vida é uma merda requintada..., i.e., um tédio. Sou uma jovem adulta que mais parece ser uma adolescente rasca. Aquela borbulha indiscreta ainda teima em aparecer. Os ténis, alguns já com alguns anitos, continuam a ser o principal elemento da minha vastíssima (notem a ironia) colecção de calçado. Continuo a carregar às costas a bela, mítica, fiel e velhinha mochila Monte Campo (que em tempos foi tão apreciada), só que agora não vou para a escola secundária mas sim para a faculdade. Levo o lanchinho para as aulas... e poderia continuar.
A verdade é que os anos passaram. Eu sei que, como qualquer pessoa, cresci. Não posso é dizer que a minha vida tenha mudado drasticamente, ou que essas mudanças sejam visíveis a olho nú. Acho que ainda não dei o salto para a geração que me espera, mas não sei se o quero fazer já. Quero e não quero, queixo-me contudo gosto. Presa ao passado a olhar para o futuro.
A minha vida é uma merda requintada..., i.e., um tédio. Sou uma jovem adulta que mais parece ser uma adolescente rasca. Aquela borbulha indiscreta ainda teima em aparecer. Os ténis, alguns já com alguns anitos, continuam a ser o principal elemento da minha vastíssima (notem a ironia) colecção de calçado. Continuo a carregar às costas a bela, mítica, fiel e velhinha mochila Monte Campo (que em tempos foi tão apreciada), só que agora não vou para a escola secundária mas sim para a faculdade. Levo o lanchinho para as aulas... e poderia continuar.
A verdade é que os anos passaram. Eu sei que, como qualquer pessoa, cresci. Não posso é dizer que a minha vida tenha mudado drasticamente, ou que essas mudanças sejam visíveis a olho nú. Acho que ainda não dei o salto para a geração que me espera, mas não sei se o quero fazer já. Quero e não quero, queixo-me contudo gosto. Presa ao passado a olhar para o futuro.
domingo, dezembro 24, 2006
Mudanças
Decidi mudar o nome do blog... já há algum tempo que tinha esta ideia... não que não gostasse do nome do blog (Pensar alto), era algo que não me satisfazia completamente. Algumas ideias surgiram, mas isto do mundo dos blogs é complicado, e arranjar endereço que se coadune com o título escolhido revelou-se ser uma tarefa très difficile. Alguns nomes passaram pela cabeça, aqui vão alguns: Distúrbios da Mente, Água em Marte, não sei porquê estes e não outros... Enquanto pensava num nome que transmitisse o que quero, olhei para o espelho que está no meu quarto e decidi! Imagem Reflectida: porque é o que este blog é, uma imagem reflectida de mim mesma, dos meus pensamentos, de quem sou. Por vezes clara como o reflexo num espelho, outras vezes baça com o reflexo na água.
Decidi mudar o nome do blog... já há algum tempo que tinha esta ideia... não que não gostasse do nome do blog (Pensar alto), era algo que não me satisfazia completamente. Algumas ideias surgiram, mas isto do mundo dos blogs é complicado, e arranjar endereço que se coadune com o título escolhido revelou-se ser uma tarefa très difficile. Alguns nomes passaram pela cabeça, aqui vão alguns: Distúrbios da Mente, Água em Marte, não sei porquê estes e não outros... Enquanto pensava num nome que transmitisse o que quero, olhei para o espelho que está no meu quarto e decidi! Imagem Reflectida: porque é o que este blog é, uma imagem reflectida de mim mesma, dos meus pensamentos, de quem sou. Por vezes clara como o reflexo num espelho, outras vezes baça com o reflexo na água.
A noite
Noutra vida passada devo ter sido um animal nocturno, talvez um morcego ou uma coruja. Digo isto não porque acredito em vidas passadas ou qualquer coisa do estilo, pelo contrário, mas porque adoro a noite. Quando falo de noite, não falo da noite das discotecas, da agitação, do barulho ensurdecedor, mas sim da noite silenciosa, dos barulhos inaudíveis que se ouvem. O melhor momento do dia é a noite. Claro que gosto do sol, da luz, do movimento matinal das pessoas, mas a noite tem uma magia fascinante. O silêncio, o quarto escuro, a rua vazia, os ecos do dia. À noite torno-me mais atenta, com os sentidos despertos, susceptível a captar o que me rodeia. É um momento de isolamento, reflexão e interiorização de mim mesma sobre tudo aquilo que sinto. Talvez seja uma solitária, e me refugie na noite.
Noutra vida passada devo ter sido um animal nocturno, talvez um morcego ou uma coruja. Digo isto não porque acredito em vidas passadas ou qualquer coisa do estilo, pelo contrário, mas porque adoro a noite. Quando falo de noite, não falo da noite das discotecas, da agitação, do barulho ensurdecedor, mas sim da noite silenciosa, dos barulhos inaudíveis que se ouvem. O melhor momento do dia é a noite. Claro que gosto do sol, da luz, do movimento matinal das pessoas, mas a noite tem uma magia fascinante. O silêncio, o quarto escuro, a rua vazia, os ecos do dia. À noite torno-me mais atenta, com os sentidos despertos, susceptível a captar o que me rodeia. É um momento de isolamento, reflexão e interiorização de mim mesma sobre tudo aquilo que sinto. Talvez seja uma solitária, e me refugie na noite.
sábado, dezembro 23, 2006
O gato
O gato foi às filhoses. E alguém tem alguma coisa a ver com isso? Realmente... se ele foi... o problema é dele. Nesta época do ano existem muitas filhoses... das sadias que fazem bem a tudo o que é constipação e dor de dentes. Já dizia a tia da vizinha da minha prima que mora para lá do rio Trancão: come filhoses que elas fazem bem aos outros!
Já os sonhos não são tão dados à cura de doenças, diria até que fazem aquilo a que chamo azia intestinal, ou gás letal, capaz de matar uma manada de búfalos a 100 km de distância do epicentro da fuga gasosa. O truque está em libertar toda essa energia deambulante, num momento preciso e provocar a cisão dos atómos, relembrando o momento épico e primordial da formação do gás ventral. E o gato foi à filhoses.. se tivesse ido aos sonhos, o problema seria bem diferente.
O gato foi às filhoses. E alguém tem alguma coisa a ver com isso? Realmente... se ele foi... o problema é dele. Nesta época do ano existem muitas filhoses... das sadias que fazem bem a tudo o que é constipação e dor de dentes. Já dizia a tia da vizinha da minha prima que mora para lá do rio Trancão: come filhoses que elas fazem bem aos outros!
Já os sonhos não são tão dados à cura de doenças, diria até que fazem aquilo a que chamo azia intestinal, ou gás letal, capaz de matar uma manada de búfalos a 100 km de distância do epicentro da fuga gasosa. O truque está em libertar toda essa energia deambulante, num momento preciso e provocar a cisão dos atómos, relembrando o momento épico e primordial da formação do gás ventral. E o gato foi à filhoses.. se tivesse ido aos sonhos, o problema seria bem diferente.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
sábado, dezembro 16, 2006
Natal
O Natal está a chegar... uma época de partilha e solidariedade...
O Natal não é só isto: é o consumismo puro e cru, é ser (ainda mais) bombardeado com publicidade, é passar dias em centros comerciais, é comprar convulsivamente, é andar em multidões sonâmbulas desejosas de poder económico.
Será realmente este o objectivo final do Natal?? Não acredito que seja... dá que pensar...
"Porque têm fome de amor. Têm fome de amor e não o encontram. (...) Não têm amor e procuram substitutos. Mas isso não resulta. O dinheiro, o poder, a posse de coisas... nada substitui o amor. (...) Procuram algo que não está ali."
in A fórmula de Deus, José Rodrigues dos Santos
E que tal procurar aquilo que realmente interessa... e esquecer o resto?
O Natal está a chegar... uma época de partilha e solidariedade...
O Natal não é só isto: é o consumismo puro e cru, é ser (ainda mais) bombardeado com publicidade, é passar dias em centros comerciais, é comprar convulsivamente, é andar em multidões sonâmbulas desejosas de poder económico.
Será realmente este o objectivo final do Natal?? Não acredito que seja... dá que pensar...
"Porque têm fome de amor. Têm fome de amor e não o encontram. (...) Não têm amor e procuram substitutos. Mas isso não resulta. O dinheiro, o poder, a posse de coisas... nada substitui o amor. (...) Procuram algo que não está ali."
in A fórmula de Deus, José Rodrigues dos Santos
E que tal procurar aquilo que realmente interessa... e esquecer o resto?
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Anda aí...
Anda aí virose... ui... e pega-se... pega e não desgruda.. puíí... ai ai... mais umas vítimas... puíí.
E quem é que as aguenta? Que remédio lá terá de ser... toca de tossir e assoar numa sinfonia que nem lembra ao Mozart...
Nojo... tu metes-me nojo... Ó lenço ranhoso... Ninguém te quer pá... Vai pó lixo, pá! Descansa que encontrarás mais companhia. ;P
Anda aí virose... ui... e pega-se... pega e não desgruda.. puíí... ai ai... mais umas vítimas... puíí.
E quem é que as aguenta? Que remédio lá terá de ser... toca de tossir e assoar numa sinfonia que nem lembra ao Mozart...
Nojo... tu metes-me nojo... Ó lenço ranhoso... Ninguém te quer pá... Vai pó lixo, pá! Descansa que encontrarás mais companhia. ;P
domingo, dezembro 10, 2006
Porque ando numa onda de sentimentalismo
Porque ando numa onda de sentimentalismo... à espera de um amor que tarda em vir... aqui vai um trecho de um livro que li há pouco tempo. Sou uma gaja romântica, por isso... desculpem-me por posts mais melosos (relembrando, até têm sido bastantes).
"«Mas eu dei-me a ele.»
Não foi o suficiente.
«Amei-o»
Mas ele nunca te amou."
in Montanhas Silvestres, Rosamunde Pilcher
Porque ando numa onda de sentimentalismo... à espera de um amor que tarda em vir... aqui vai um trecho de um livro que li há pouco tempo. Sou uma gaja romântica, por isso... desculpem-me por posts mais melosos (relembrando, até têm sido bastantes).
"«Mas eu dei-me a ele.»
Não foi o suficiente.
«Amei-o»
Mas ele nunca te amou."
in Montanhas Silvestres, Rosamunde Pilcher
sábado, dezembro 09, 2006
....
As minhas lágrimas secaram. Quero chorar e não consigo, estou farta de tudo. Não pensam nos outros, nem querem saber das marcas de dor que fazem. Cada um preocupado em atirar facas, se existirem feridos acidentais que se lixe! São anos a tentar moderar aquilo que não se pode moderar. São anos que marcam profundamente. Tenho vontade de sair daqui, mas estou presa porque os amo.
As minhas lágrimas secaram. Quero chorar e não consigo, estou farta de tudo. Não pensam nos outros, nem querem saber das marcas de dor que fazem. Cada um preocupado em atirar facas, se existirem feridos acidentais que se lixe! São anos a tentar moderar aquilo que não se pode moderar. São anos que marcam profundamente. Tenho vontade de sair daqui, mas estou presa porque os amo.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Hoje.
Hoje vi a morte muito de perto... a rondar. Acho que não chegou, mas não tenho a certeza. Preferi fugir e não ver a realidade nua e crua. Não quis ver um corpo despedaçado em mil pedaços. Ele decidiu arriscar e avançar em frente, para o comboio. Não sei se consegui passar, não sei se recuou. Uma decisão de um segundo que pode mudar tudo. É frustante não poder fazer nada, somente acreditar e esperar pelo melhor.
Hoje vi a morte muito de perto... a rondar. Acho que não chegou, mas não tenho a certeza. Preferi fugir e não ver a realidade nua e crua. Não quis ver um corpo despedaçado em mil pedaços. Ele decidiu arriscar e avançar em frente, para o comboio. Não sei se consegui passar, não sei se recuou. Uma decisão de um segundo que pode mudar tudo. É frustante não poder fazer nada, somente acreditar e esperar pelo melhor.
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